sexta-feira, 26 de abril de 2013

Estava procurando um tema para escrever e a verdade é que não faltam temas construtíveis: Violencia e segurança publica, manipulação genética de alimentos, aborto, pena de morte, entre outros..
... Garanto que tenho uma opinião formada para quase todos os assuntos mencionados, mas mesmo assim prefirí no momento não escrever sobre nada disso, porque lembrei que ainda não escrevi sobre um tema que até gosto de escrever: sobre mim. Não por ser tão egocêntrica, mas porque sinto que quando escrevo sobre mim, tento me conhecer mais.. porque sei que escrevendo, descubro cada vez mais, não somente sobre assuntos alheios, mas tambem sobre a minha pessoa. Esse texto está se tornando um pouco aborrecido, e sinceramente não estou gostando da introdução.. talvez porque estou muito acostumada em escrever em papel, num ambiente mais sossegado.. e pode parecer estranho, mas escrever nesse teclado faz toda diferença. No caso, tira minha concentração na escrita.. não sei porque.
Voltando no tema do post... ou seja, eu.
 Me entender é algo que não aconselho a ninguém. Até porque é algo que nem eu mesma consigo. Sou frio e calor, silêncio e barulho, depressão e euforia... e isso pode soar meio confuso, eu sei, mas sempre fui assim. Adoro me comunicar e não imagino quão infeliz seria se fosse muda. Sou bastante extrovertida (as vezes até demais) e não gosto muito de me preocupar com as coisas (não no sentido irresponsável, mas mais por saber que não é por você se matar por um problema, que vai resolvê-lo. Tudo tem que ser pensado de cabeça fria, e não sou do tipo de pessoa que fica remoendo um problema e se stressa na primeira dificuldade que encontra). Não tenho NENHUM jeito para ser engraçada, mas também não sou uma pessoa NADA séria. Sou realista mas adoro imaginar como tudo será se correr como planeado. Não sou linda, nem feia. Amo leitura, escrita, caminhadas e chocolate. Um facto marcante na minha personalidade, que sobressai muito quando me conhecem de verdade: Sou de TUDO ou NADA. Dispenso qualquer coisa que seja pela metade. Se não posso ter tudo, então prefiro ficar com o nada.. Não quero meio-amor de ninguem, nem meia-amizade.. nem meio ou metade de NADA.
Não sou uma pessoa fácil. Tenho o terrível defeito de não conseguir ficar calada numa discussão e de conseguir ser tão fria como gelo quando quero. Ou seja, consigo dizer um 'estou bem ;D' tão alegre que ninguem desconfiará que estarei chorando por dentro. Porém, não levo jeito nenhum pra mentir.. e quem me conhece minimamente sabe perfeitamente quando TENTO mentir. Tenho uma personalidade forte e gosto de liderar. Não mandar, liderar. Sim, porque um líder não é quem manda, um líder demonstra suas idéias e empresta a sua imagem, sendo o porta-voz e o representante de uma causa.. podendo até mesmo liderar sem ser o centro das atenções.. estando por detrás das cortinas do espetáculo. ADORO conquistar.. E poucas sensações são tão boas e gostosas como a sensação da conquista. Acredito que ninguem é bom o suficiente que nunca tenha errado, assim como ninguem é ruim o suficiente que nunca tenha feito nada de bom. Se você ainda não errou (duvido) fique sabendo que ainda vai errar.. e para você que como eu vive errando, fique tranquilo.. isso é sinal de que está aprendendo (ou pelo menos tendo chance pra isso) e ainda vai errar muuito mais. Gosto de desafios, e vivo me desafiando a mim mesma.. Talvez isso me ajude a ser uma pessoa melhor . Não tenho medo de mostrar minhas opiniões e nem quem sou pra ninguem! Isso porque não me importo em seguir nenhum estereótipo da sociedade... até porque a sociedade é muito inconstante em termos de opniões: se você é gorda, te criticam. Se você é magra, (surpresa!) tambem te criticam. Se você não fala com ninguem, é uma antipatica e anti-social..se você fala com muita gente, é oferecida e não possui moral e bons costumes. Enfim, de qualquer maneira qualquer pessoa vai ser julgada.. então que seja por ser feliz demais. 
Ha muitas coisas sobre mim que não mencionei e outras que eu não sei.. Não porque não teria assunto (sou uma fonte infindável de assunto.. nem cheguei a dizer o quanto adoro a música, o quanto sou arrogante ou esquecida e blablabla) mas na verdade esse texto está me parecendo tão estranhamente desestruturado, em comparação com minha escrita (que normalmente é feita em papel, ora aí está!), que prefiro desligar o "pc" e ir deitar, para escrever algo melhor. (Já mencionei que acordo as 5h, e já são 01h?..Talvez seja por isso que meu "cpu" já não está funcionando tão bem).
Ah e .. mesmo lendo tudo o que escrevi, tenho consciência de que amanhã posso acordar com os pensamentos diferentes e diversas opiniões modificadas... porque das poucas coisas que tenho certeza sobre mim é que tenho uma personalidade semelhante ao camaleão.. ela se modifica com o tempo.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Brasil ou Portugal (?)

As coisas não são tão fáceis (na verdade NADA fáceis) porque alem de nao ter dinheiro suficiente ainda, minha relação com minha mãe não é das melhores (nunca foi) e quero muito mudar isso antes da minha partida (além do que ter o apoio dela seria importantíssimo).
Meus pais se separaram quando eu tinha 7 anos (nesse momento tenho 20) e eu sempre viví com a minha mãe (o que como disse, NUNCA foi fácil) até ela vir para Portugal. Eu e meu irmão (quatro anos mais velho) moramos por 11 meses com uns tios que até então não conhecia muito bem. Nesse período também só vi o meu pai uma vez, visto que tive que mudar para outro estado. Para quem não sabe como é viver com pessoas diferentes assim de repente e ainda por cima num lugar diferente onde não se conhece ninguem, eu digo que é muito difícil ! Nunca esquecerei tal experiência e a relatarei futuramente.
Em 11 meses reavi minha mãe, já casada com Manuel, um cidadão português que por sinal seria meu padrasto e uma pessoa muito simpatica... O que não deixava de ser muito estranho ver minha mãe casada depois de tanto tempo sem vê-la. Foi uma surpresa estranhíssima talvez porque durante todo o tempo em que esteve separada do meu pai (até ir para outro país) ela nunca teve sequer um namorado.
Cheguei em Portugal com 11 anos e uma saudade inexplicável principalmente do meu pai (já mencionei que nossa relação sempre foi muitíssimo próxima? Que chorava todas as noites olhando para a foto dele, desejando abracá-lo ?).
Mais uma vez num lugar diferente e sem conhecer praticamente ninguem, comecei a refazer a vida por aqui e talvez o facto de sempre ter sido  deveras extrovertida tenha ajudado. Foram inúmeras as vezes que ouvi um "volta pra tua terra" ou um "vieste fazer o quê em Portugal?" (como explicá-los que não tive muita escolha?!) , por exemplo uma vez, houve uma professora de Língua Portuguesa que me falou perante toda a turma "Pensas que aqui é o país da mãe Joana? Volta pra o teu país".. coisa que me surpreendeu muito, ouvir tal coisa de alguem que tinha como profissão educar, não enraigar preconceitos em seus alunos. Já me chamaram de 'brasileira' mesmo tendo um nome próprio. Eu nunca reclamava, nem em casa nem na escola. Guardava isso pra mim, e mesmo nunca deixando que essas coisas me afetassem, aqui dentro elas iam como  que se acumulando. As pessoas no Brasil tendem a pensar que com certeza temos uma vida ótima só por estarmos em outro país distante e que era uma oportunidade grandiosa para meus estudos, a qual não poderia perder. Mas elas não fazem idéia de como é difícil. Difícil estar longe da família quando se quer e precisa estar perto, difícil querer ver, querer TANTO estar do outro lado do oceano. Difícil precisar de um abraço de uma única pessoa e não poder tê-lo. Difícil quando um familiar está mal, ou mesmo falece, e você não pode estar presente para consolar ou ser consolado. O que é mais difícil? Pra mim é saber que se passou tanto tempo.. tempo de ausência, de falta e saudade, e que nunca mais haverá outra oportunidade para reviver e reaver o que o tempo levou enquanto estive fora... tantos sorrisos, discussões e festejos que não chegaram a acontecer. Queria MUITO não sentir essa saudade até das coisas que a distãncia me privou de viver por estar longe.
Na verdade ser emigrante tem suas inúmeras vantagens e desvantagens, como tudo na vida. E confesso que hoje em dia considero Portugal como "meu país" também, pois apesar de não ter nascido aqui, crescí como pessoa nesse país, onde também conhecí pessoas maravilhosas.
Quando me perguntam se prefiro Brasil ou Portugal, em primeiro lugar consigo ver como o tempo muda as pessoas ! E quando digo que "o tempo muda tudo" é sentindo isso mesmo! Por exemplo, se fosse a uns anos atras eu responderia sem pensar "Brasil com certeza" mas o tempo nos faz acostumar demais com a ausência, e depois de tanto tempo, tudo o que tenha a ver com 'saudade' (que eu tinha até mesmo de um gosto ou cheiro) está congelado, tão congelado que eu já não sinto tanta falta, nem penso muito nisso. Em segundo lugar, quando me perguntam isso fico mesmo sem saber o que reponder porque na verdade me sinto tão dividida entre esses dois países que não tenho resposta.
No entanto, há um tempo atras me deparei a pensar demais em "como eu seria/estaria se nunca tivesse saído do Brasil?"  ou "como será viver no Brasil?" e apesar de não poder voltar no tempo para passar toda minha adolescencia lá, decidi então não perder mais tempo com dúvidas e ir, para descobrir o que me espera por terras de Vera Cruz. Achei que seria uma boa e interessante idéia relatar essa experiência e começo hoje, dia 21/04/2013. Escreverei tudo, de 2 meses antes, até 6 meses depois da minha partida.. e sinceramente, não faço idéia do que me espera.

Essa vontade de escrever ..

Decidi começar a relatar a minha vida porque ela está prestes a mudar. Positiva ou negativamente? Não sei, mas será isso que irei relatar aqui. Vivo em Portugal ha quase 10 anos, e nesse tempo todo estive no Brasil uma vez, durante dois meses. No entanto decidi ha um mês voltar para o meu país de origem, sem data certa para voltar..e vou daqui a dois meses. Ou seja, relatarei nesse blog o desafio que está sendo os preparativos para essa viagem que não tem previsão exata de volta e o desafio que será estar num país diferente, onde não conheço muitas coisas, nem muita gente.