terça-feira, 23 de abril de 2013

Brasil ou Portugal (?)

As coisas não são tão fáceis (na verdade NADA fáceis) porque alem de nao ter dinheiro suficiente ainda, minha relação com minha mãe não é das melhores (nunca foi) e quero muito mudar isso antes da minha partida (além do que ter o apoio dela seria importantíssimo).
Meus pais se separaram quando eu tinha 7 anos (nesse momento tenho 20) e eu sempre viví com a minha mãe (o que como disse, NUNCA foi fácil) até ela vir para Portugal. Eu e meu irmão (quatro anos mais velho) moramos por 11 meses com uns tios que até então não conhecia muito bem. Nesse período também só vi o meu pai uma vez, visto que tive que mudar para outro estado. Para quem não sabe como é viver com pessoas diferentes assim de repente e ainda por cima num lugar diferente onde não se conhece ninguem, eu digo que é muito difícil ! Nunca esquecerei tal experiência e a relatarei futuramente.
Em 11 meses reavi minha mãe, já casada com Manuel, um cidadão português que por sinal seria meu padrasto e uma pessoa muito simpatica... O que não deixava de ser muito estranho ver minha mãe casada depois de tanto tempo sem vê-la. Foi uma surpresa estranhíssima talvez porque durante todo o tempo em que esteve separada do meu pai (até ir para outro país) ela nunca teve sequer um namorado.
Cheguei em Portugal com 11 anos e uma saudade inexplicável principalmente do meu pai (já mencionei que nossa relação sempre foi muitíssimo próxima? Que chorava todas as noites olhando para a foto dele, desejando abracá-lo ?).
Mais uma vez num lugar diferente e sem conhecer praticamente ninguem, comecei a refazer a vida por aqui e talvez o facto de sempre ter sido  deveras extrovertida tenha ajudado. Foram inúmeras as vezes que ouvi um "volta pra tua terra" ou um "vieste fazer o quê em Portugal?" (como explicá-los que não tive muita escolha?!) , por exemplo uma vez, houve uma professora de Língua Portuguesa que me falou perante toda a turma "Pensas que aqui é o país da mãe Joana? Volta pra o teu país".. coisa que me surpreendeu muito, ouvir tal coisa de alguem que tinha como profissão educar, não enraigar preconceitos em seus alunos. Já me chamaram de 'brasileira' mesmo tendo um nome próprio. Eu nunca reclamava, nem em casa nem na escola. Guardava isso pra mim, e mesmo nunca deixando que essas coisas me afetassem, aqui dentro elas iam como  que se acumulando. As pessoas no Brasil tendem a pensar que com certeza temos uma vida ótima só por estarmos em outro país distante e que era uma oportunidade grandiosa para meus estudos, a qual não poderia perder. Mas elas não fazem idéia de como é difícil. Difícil estar longe da família quando se quer e precisa estar perto, difícil querer ver, querer TANTO estar do outro lado do oceano. Difícil precisar de um abraço de uma única pessoa e não poder tê-lo. Difícil quando um familiar está mal, ou mesmo falece, e você não pode estar presente para consolar ou ser consolado. O que é mais difícil? Pra mim é saber que se passou tanto tempo.. tempo de ausência, de falta e saudade, e que nunca mais haverá outra oportunidade para reviver e reaver o que o tempo levou enquanto estive fora... tantos sorrisos, discussões e festejos que não chegaram a acontecer. Queria MUITO não sentir essa saudade até das coisas que a distãncia me privou de viver por estar longe.
Na verdade ser emigrante tem suas inúmeras vantagens e desvantagens, como tudo na vida. E confesso que hoje em dia considero Portugal como "meu país" também, pois apesar de não ter nascido aqui, crescí como pessoa nesse país, onde também conhecí pessoas maravilhosas.
Quando me perguntam se prefiro Brasil ou Portugal, em primeiro lugar consigo ver como o tempo muda as pessoas ! E quando digo que "o tempo muda tudo" é sentindo isso mesmo! Por exemplo, se fosse a uns anos atras eu responderia sem pensar "Brasil com certeza" mas o tempo nos faz acostumar demais com a ausência, e depois de tanto tempo, tudo o que tenha a ver com 'saudade' (que eu tinha até mesmo de um gosto ou cheiro) está congelado, tão congelado que eu já não sinto tanta falta, nem penso muito nisso. Em segundo lugar, quando me perguntam isso fico mesmo sem saber o que reponder porque na verdade me sinto tão dividida entre esses dois países que não tenho resposta.
No entanto, há um tempo atras me deparei a pensar demais em "como eu seria/estaria se nunca tivesse saído do Brasil?"  ou "como será viver no Brasil?" e apesar de não poder voltar no tempo para passar toda minha adolescencia lá, decidi então não perder mais tempo com dúvidas e ir, para descobrir o que me espera por terras de Vera Cruz. Achei que seria uma boa e interessante idéia relatar essa experiência e começo hoje, dia 21/04/2013. Escreverei tudo, de 2 meses antes, até 6 meses depois da minha partida.. e sinceramente, não faço idéia do que me espera.

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